"Eu e aquela que nunca fui, A Feliz
Nas madrugadas mais custosas, perambulo pela casa com a alma emvigília. Da janela, um vento gélido teima em alardear que os tempos são outros.A cama é outra, as ruas são outras, as canções mudaram e do júbilo de outrora sórestou essa ausência de mim mesma, esse gosto dilacerado na boca ao fim de cadaxícara de café.Ausência de mim mesma, do que eu era quando éramos –primeira pessoal do plural. De quando a vida chegou a ser um acontecimentofeliz. De como eu era sujeito de meus próprios verbos, protagonista da mais belahistória de afeto jamais dantes escrita.As lágrimas estancaram. “O tempo passou”, brado a mim mesma, “como ousas olhar pra trás?”.O espelho me diz o que devo fazer com você: empalhar e pôr na galeria das boas lembranças, junto comtodos os outros. Ele só não consegue me dizer o que devo fazer comigo quandosinto saudades de quem eu era quando vivíamos a mesma fábula.Eu e meu semblante risonho, eu e minhas palavras otimistas, eu e minha docilidadeexpostas, eu e aquela que nunca fui, A feliz. Eu, que esquecia de ficar triste,que acreditava ser bela, que supunha ser plena. Eu tenho saudades de mim edo passado que já não me cabe mais.
Maíra Viana”
Das Crônicas.
domingo, julho 12
Pois vejo muito de mim aí. :
Postado por Amelie às 2:04 PM
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